“(...) A coisa mais estranha do mundo aconteceu:
Começou a nevar.
Eu sei, bem de levinho, e realmente está cedo demais para nevar em Manhattan, principalmente com o aquecimento global. Mas definitivamente estava frio o suficiente para isso. Não tão frio para o chão ficar branco nem nada. Mas não havia a menor dúvida de que aquela dúzia de flocos brancos minúsculos começou a cair do céu noturno cor-de-rosa (cor-de-rosa porque as nuvens estavam tão baixas que as luzes da cidade refletiam nelas) enquanto eu falava.
E uma coisa estranha aconteceu quando eu ergui os olhos para os flocos de neve, sentindo-os cair de levinho no meu rosto, enquanto eu ouvia o J.P. explicar que estava feliz por eu ainda ser princesa, afinal de contas.
De repente – assim, sem mais nem menos – eu não me senti mais tão deprimida quanto antes.
Realmente eu não tenho como explicar de outra maneira. (...)
Mas foi exatamente assim que aconteceu. De repente, eu parei de me sentir tão triste.
Não que eu estivesse curada, nem nada.
Mas que eu tinha subido alguns metros naquele enorme buraco preto e conseguisse enxergar o céu – com clareza – de novo. Estava simplesmente quase ao meu alcance, e não mais a metros de altura. Eu estava quase lá...
E daí, (...) eu percebi que eu me sentia... feliz.
Feliz. De verdade.
Não louca de felicidade, nem nada. Não em êxtase. Não deleitada. Mas foi uma mudança tão boa de me sentir triste o tempo todo que eu – de uma maneira completamente espontânea, e sem pensar sobre o assunto – joguei os braços em volta do pescoço do J.P. e dei o maior beijão na boca dele.
Ele pareceu surpreso de verdade. Mas se recuperou no último instante acabou me abraçando também e retribuindo o beijo.
E a coisa mais estranha de todas foi que... eu realmente senti uma coisa quando os lábios dele encostaram nos meus.
Tenho bastante certeza disso. (...)
Talvez tenham sido só dois ou três flocos de neve no meu rosto. Mas talvez – apenas talvez – tenha sido disso que meu pai falou. Você sabe o quê:
Esperança.
Não sei. Mas foi bom.
Finalmente o Lars limpou a garganta e eu soltei o J.P.
Daí o J.P. disse, parecendo acanhado: “Bom, talvez eu esteja perseguindo você um pouquinho. Posso perseguir mais amanhã?”
Eu dei risada. Então disse:
“Pode. Boa noite, J.P.”
E daí eu entrei.”
-Princesa Mia, Meg Cabot.
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